PARA VER: Sombras da Noite com Johnny Depp

*POR LORENA NOVAS

Lá estava eu, curtindo uma tarde de férias, quando resolvo assistir a um filme. Me programei toda para ver Para Roma com Amor, de Woody Allen, mas foi só chegar ao cinema para perceber que não teria Woody Allen certo. O lugar estava lotado, em plena tarde de um dia de semana (o que me faz imaginar o que esse povo todo faz da vida). Aí olhei para o painel da programação, para ver se encontrava uma saída, e eis que o nome Sombras da Noite (Dark Shadows) olhou para mim, eu olhei para ele, a sessão estava próxima e resolvi que ia ser ele mesmo.

Sombras da Noite, de Tim Burton, é uma adaptação de uma série de TV norte-americana veiculada nas décadas de 1960 e 1970. O jovem Barnabas Collins (Johnny Depp) muda-se de Londres com a família para os Estados Unidos de 1752, onde funda a cidade de Collinsport e um negócio pesqueiro de sucesso. Mas ao partir o coração de uma bruxa, Barnabas é transformado em vampiro e preso numa tumba por dois séculos. Fui com a expectativa bem baixa, já que Tim Burton andou errando a mão bizarramente nos últimos filmes, sem falar que ninguém aguenta mais nada sobre vampiros, mas não é que eu me surpreendi?

Assista ao trailer do filme Sombras da Noite

Parece que o diretor deixou a preguiça um pouco (percebam a ênfase no “um pouco”, viu, gente?) de lado e conseguiu fazer um filme até divertido e interessante. Realmente, Sombras da Noite tem seus momentos. A mistura de terror gótico com comédia e romance funcionou, apesar de ser bisonha. A francesa Eva Green, que faz a bruxa Angelique Bouchard, está fenomenal no papel e é responsável por algumas das melhores cenas do filme, ao lado da jovem atriz Chloë Grace Moretz, que interpreta uma das integrantes do clã Collins. E o compositor Danny Elfman estava inspirado com uma trilha que pegou seus tiques musicais usuais e misturou com o melhor do rock da década de 1970, com direito a Black Sabbath, The Carpenters e Alice Cooper. Os fãs de rock irão adorar!

Alguns podem reclamar que Johnny Depp faz sempre o mesmo papel nos filmes de Burton, mas ele é o alter-ego de Tim Burton, assim como Vincent, do curta de mesmo nome, e Jack, de O Estranho Mundo de Jack. É como Woody Allen em seus filmes, sempre fazendo o papel dele mesmo. No dia que mudar, aí sim será estranho. Enfim, não é um top de Tim Burton, mas vale a pena. E em homenagem a esse diretor, escritor, produtor, faz tudo, que adoro, aí vai um Top 08 (para variar dos Top 05 e Top 10 de sempre, não é?) dos melhores filmes dele de acordo com a minha humilde opinião:

08 – A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005)

A animação, feita com bonecos de massinha de modelar, é de uma beleza singular. E bota singular nisso! No século 19, Victor (Johnny Depp) é um jovem arrastado para o outro mundo ao se casar sem querer com a misteriosa Noiva Cadáver (Helena Bonham-Carter), enquanto sua verdadeira noiva, Victoria (Emily Watson), o aguarda desolada na Terra dos Vivos. No vídeo, uma das minhas cenas favoritas: o dueto ao piano na Terra dos Mortos.

7 – Vincent (Vincent, 1982)

Esse curta-metragem é um dos primeiros trabalhos de Tim Burton. Aqui somos apresentados ao seu mundo gótico e extremamente peculiar. Isso porque a história trata do garoto Vincent, que quer ser como Vincent Price, estrela de filmes de terror, o que realmente tira sua mãe do sério. E o fato de Tim Burton tem um carinho especial pelos filmes de Price não é mera coincidência. No vídeo, o curta legendado em português.

6 – Os Fantasmas se divertem (Beetle Juice, 1988)

Tresloucado, colorido e dotado de um humor negro que vai fazer você rir, quer queira, quer não. Como não amar Beetlejuice? Na história, um casal morre e se vê como fantasmas que precisam habitar a casa onde moravam como vivos por cinquenta anos até poderem se libertar. Estava tudo indo muito bem até um casal de novos ricos comprarem a casa. Os fantasmas resolvem, então, contratar um “bio-exorcista” para apavorar os moradores e expulsá-los. E nessa confusão, surgem cenas como a do vídeo acima 😉

5 – A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, 1999)

Confesso que tenho uma paixão mórbida por esse filme. Adoro O Cavaleiro sem Cabeça e seu cavalo negro que vem dos confins dos infernos para decapitar os desavisados. É de uma beleza cruel e extremamente fascinante, se é que vocês conseguem me entender xD Ichabod Crane, o herói dessa história, certamente não me entende. O coitado é enviado para a cidade de Sleepy Hollow com o propósito de investigar três mortes por decapitação que os moradores juram ser obra do lendário Cavaleiro sem Cabeça. No vídeo, o trailer do filme para não perturbar os estômagos mais fracos com cenas muito sanguinolentas 😉

4 – Batman (Batman, 1989)

Antes da trilogia de Christopher Nolan, antes daquela bomba cinematográfica chamada Batman Eternamente, Tim Burton deu aos fãs dos quadrinhos um Batman peculiar, sombrio, esquizofrênico, cruel. Trilha sonora marcante, vilões caricatos, mas que se somam perfeitamente ao mundo criado por Tim Burton para o herói da DC Comics, enfim, praticamente perfeito. Nesse filme, o Cavaleiro das Trevas começa sua guerra contra o crime e enfrenta o seu arqui-inimigo, o Coringa, numa Gothan City saída dos seus piores pesadelos. Na cena do vídeo, o Coringa de Jack Nicholson e sua risada marcante.

3 – Batman – O Retorno (Batman Returns, 1992)

Só preciso dizer uma coisa: miaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuuuuu 😉

2 – O Estranho Mundo de Jack (A Nightmare Before Christmas, 1993)

Todo mundo pensa que Tim Burton dirigiu esse filme, mas na verdade ele só escreveu a história, e só por isso ele não está no topo da minha lista. A animação, feita com bonecos de massa de modelar, é um musical de terror onde o espírito do Dia das Bruxas, Jack, está de saco cheio de todo ano ter que preparar o Halloween. Ele quer fazer algo diferente! Um dia seus desejos são atendidos e ele esbarra sem querer no Mundo do Natal. Encantado, Jack tem uma ideia brilhante: tomar o lugar do Papai Noel. Obviamente, o Natal de Jack será muito sinistro! No vídeo, a música mais conhecida da animação, This is Halloween.

1 – Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands, 1990)

Um robô, capaz de sentir emoções, mas que é incompleto: não possui as mãos. Em seu lugar, há tesouras. Dessa ideia maluca, surgiu uma das fantasias mais belas do cinema. Quem não se apaixonou por ele que atire a primeira tesoura. Quem nunca se identificou com ele, também. Aqui, o amor de Tim Burton pelo gótico, pelo estranho, por mostrar um subúrbio norte-americano de uma maneira aterrorizante, é arrebatador. Tudo isso embalado na melhor trilha sonora que Danny Elfman já compôs para um filme de Burton. E em cenas de uma beleza plástica incrível, como a que a personagem Kim dança sob os flocos de gelo. É com essa cena que eu me despeço do Top 08! Espero que tenham gostado 🙂

*Jornalista e crítica de cinema nas horas vagas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s